quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MEDITAÇÃO >> Carla Dias >>

Tentei de um tudo, mas confesso que de um tudo nem tão tudo assim, que a cabeça sempre vence o corpo. Fico exercitando pensamentos como se estivesse fazendo esportes radicais. Dentro de mim, as ideias e percepções se movimentam alucinadamente. Então, quando vem um pensamento mais manso, é assim, como se conseguisse dormir oito horas por noite, sem acordar nenhuma vez, sem me lembrar de sonho que tive.

Desde sempre, meu hard-disc-drive-cuca-nada-fresca faz estoque de urgências. Mesmo quando a coisa é para daqui a um tempo, fico esbaforida por causa dela, até chegar ao então. Procurei na astrologia a resposta para esse comportamento sem noção, mas depois de ler várias menções aos escorpianos, quase todas não assim tão positivas, decidi parar com a leitura, antes de desejar assumir de vez o meu ascendente.

Mas preciso dizer que disfarço bem a minha ansiedade. Não sou de, por exemplo, mandar mensagem por e-mail às 18h30 e ligar às 18h31 para a pessoa, para saber por que ela ainda não me respondeu. Porém, fico doida da vida quando fazem isso comigo. E, acreditem, sou vítima das pessoas que não sabem aguardar retorno.

Em fato, sou daquelas que têm um talento vistoso para lidar com a sofreguidão das esperas. Meu relacionamento com o tempo é bem bagunçado. Já esperei anos por respostas que eu merecia receber em dias, e mesmo tendo essa inquietude interior me consumindo, pratiquei a paciência – tumultuada, mas ainda paciência - com a maior classe, em vários momentos da minha vida. Mas isso porque compreendi, e logo, que minhas urgências não são urgentes aos outros.

Acontece que cheguei a esse momento, esse agora em que meus pensamentos praticamente tomaram conta. Enquanto escuto o que me dizem, pipocam opções na minha cabeça, reflexões, opiniões, nada verbalizado, tudo muito bem engavetado na secreta morada dessa pessoa que vive em mim e sou eu, mas só que um tanto mais histriônica. Um amigo ou outro acaba sofrendo os efeitos dessa minha existência desandada, que às vezes preciso verbalizar as minhas maluquices, mas todos passam bem. Obrigada pelo interesse em saber deles. E quando não me aguentam mais, apenas me mandam catar coquinho ou escrever poema, sonhar acordada, sabe?

Sei...

Vou... Por que não?

Portanto, quero que saibam que, se dia desses vocês me encontrarem por aí, assim, tentando fazer minutos se transformarem em dia, vestida com sorriso escancarado e chapéu de palha, falando comigo mesma, mas de fato, não por estar no celular e usando fone, os pés despidos dos tênis All Star, saibam que, finalmente, aprendi a meditar.

Pois é... Coisa de milagre.




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3 comentários:

Zoraya disse...

Não esmoreça, que vocês, Poetas e Líricos ja´nascem com uma capacidade de meditar e sair de órbita acima da média. Siga firme e flutuando.

albir disse...

Seu caos é muito criativo, Carla. Não se desculpe por ele. Alimente-o.

Carla Dias disse...

Zoraya... Orbitar é preciso :)

Albir... Pode deixar ;)