SOMBRAS >> Ana Raja

O tempo enredado em mim vem de um passado que não reconheço, apesar de ciente da sua existência. Ele pertence a minha linhagem, às mulheres do meu sangue. 

Nossa missão é ser livre. Pelo caminho, vamos nos desnudando de tudo que seja sombra, teia, cordas, palavras profanas e destinos escritos por mãos ceifadoras de desejos.

A cada geração, uma esperança. Vejo nos olhos da minha mãe algo novo. Vejo em meus olhos a certeza do novo. Ainda verei nos olhos das minhas filhas e netas a liberdade estampada e vivida sem ressalvas.

Eu sou o que você vê. 

Eu sou o que eu quero ser.

Eu luto e me machuco por você.

Eu rodo no emaranhado de planos por mim.

Por nós, continuo a não morrer.


Imagem © Gordon Johnson por Pixabay

anaraja.com.br

Comentários

Nadia Coldebella disse…
Um texto curto, cheio de signicados. Uma prosa poética que se traduz em luta, esperança e esperança de luta. Só me veio uma palavra: sororidade.

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