O DESCANSO NERVOSO DO GUERREIRO >> Albir José Inácio da Silva

 

Acabo de me aposentar do trabalho, mas não da indignação. Aonde vamos chegar com esse arremedo de segurança pública? Passo os dias amargurado, assistindo programas policiais na televisão.  O apresentador se esforça em elogiar o trabalho da polícia, mas sabemos que os acusadores estão em maior número.

  

Na tela, o que os progressistas chamam de “vítima da sociedade”. Tem vagabundo escrito na testa, o meliante. Fica ali, encolhido no chão com cara de coitado, mas a mim não engana. Essa cor, esse cabelo, esse andar malandreado, a gente conhece essa raça. Só falta o fragrante.

 

Bastava trabalhar ele uns minutinhos que falava até o não perguntado. Mas agora tá difícil de trabalhar. Tem câmera em cada poste, cada esquina, além de um bando de desocupados com celulares por trás das cortinas e venezianas.

 

Mas não é só. Até o material que a gente carregava pra essas emergências – um pozinho, uma erva, uma pistola enferrujada - já não pode mais. Aviso da corregedoria e do secretário. Como é que se trabalha assim? Depois reclamam que crime neste país não é solucionado!

 

Bem diferente dos anos 70 quando encontrei minha vocação. Tempo bom em que se podia trabalhar com apoio das autoridades e da sociedade.

 

E antes disso, ainda na infância, divertia-me com as histórias do meu herói, Delegado Padilha. Conta-se que ele passava uma laranja por dentro da calça do suspeito de viadagem e, se a laranja não caísse no chão, estava preso. Isso porque calça justa, naqueles bons tempos, não era coisa de homem. Era um tempo em que se podia trabalhar com base na moral e nos bons costumes.

 

Hoje a viadagem está liberada e se algum colega resolve combatê-la, acaba em dificuldades administrativas e criminais. Como diz um pastor amigo meu, “a boiolagem antigamente era proibida, depois ficou permitida, tenho medo de que no futuro se torne obrigatória.”

 

Heróis também da minha geração foram os 12 homens de ouro da polícia carioca, que nos anos 60 desbravavam os guetos imundos, arrancando de lá a escória que vivia abaixo da linha de humanidade. Limpeza que se refletia na paz e segurança do asfalto e das areias douradas da princesinha do mar e demais cartões postais do Rio de Janeiro.

 

Mais do que apoiar o nosso trabalho, os governantes incorporaram esses métodos quando precisaram cuidar de outro tipo de bandidos. Foi graças às práticas copiadas das delegacias fluminenses que o país não sucumbiu à dominação comunista. Até hoje o livro do Coronel Ustra está na minha cabeceira. Nessa época houve grande evolução das técnicas, com apoio da CIA e do Pentágono.

 

Atualmente, não bastassem as câmeras e celulares bisbilhotando o nosso trabalho, ainda temos de enfrentar a universidade com suas pesquisas e opiniões. As malditas estatísticas apontam que a polícia que mais mata é também a que mais morre. Os números podem até estar corretos, mas a análise está errada. Morre-se mais porque ainda se mata pouco. “Bandido bom é bandido morto”, já diziam os 12 homens de ouro.

 

E, como já disse o Comandante da Rota, não se pode tratar favelado do mesmo modo que gente de bem. O morador dos Jardins ou do Leblon, por exemplo, ficaria ofendido se a abordagem fosse a mesma.

 

Bandido é bandido, do mal, ateu, não se confunde com o cidadão de bem que teve um deslize:    deu uns tapas numa vagabunda que passou dos limites, perdeu a cabeça em defesa da honra ou aceitou uma comissão em negócios que, afinal, fazem a grandeza do país. O problema foi essa Constituição que deu direitos humanos a quem não é humano.

 

Felizmente temos uma valorosa bancada do bem no Congresso que está propondo arrancar a erva daninha pela raiz, neutralizar a semente do mal, colocando na cadeia os “di menor”. Mas começou a grita dos direitos humanos, dizendo que é inconstitucional. E olha que já conseguiriam emplacar uma audiência de custódia, que só serve para soltar bandidos contra quem não temos provas, mas temos convicção.

 

Ainda bem que temos eleições e candidato que defende a intervenção de um poder no outro, com uso da força se necessário, e reconhece a importância de um interrogatório bem feito, “com massagem” e convencimento.

 

Só sairemos dessa quando conseguirmos derrubar esta Constituição que chamam de cidadã, mas deveria ser chamada de bandida porque protege o meliante e pune o cidadão de bem.

 

Meu sonho é a volta da Emenda Constitucional nº 1 de 1969, aquela sim uma carta com os instrumentos para uma justiça justa sob os primados da ordem, do progresso – sem progressismo - e da fé.

 

Nunca me esqueço de que a cruz tem a forma de uma espada.

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