VOCÊ NUNCA FOI PRÍNCIPE >> ANDRÉ FERRER


IMAGEM: Gemini

Maquiavel produziu o antídoto do Príncipe, mas a tradição do Príncipe, os usurpadores de todas as épocas, acusou Maquiavel de ser maquiavélico. O veneno, com certeza, sempre foi o Príncipe.

É um caso exemplar de assassinato de reputação, que durou séculos, e o termo maquiavélico, fora de dúvida, é o marco linguístico desse cancelamento analógico. Maquiavel jamais escreveu um manual do mau-caratismo. Ele produziu um sistema de reconhecimento e detecção importante, o que irritou o Príncipe e os seus sucessores. O texto de Nicolau Maquiavel foi produzido para denunciar e prevenir. A obra O Príncipe diz como reconhecer o Príncipe e toda a sua corte de usurpadores e escravagistas, por isso incomodou e foi falseada como a receita da usurpação.

Quando me refiro ao Príncipe, aqui, confio em que o leitor entenda algo sobre o fenômeno do linchamento duradouro sofrido pelo pensador italiano. Eu confio que ele terá uma névoa dessa compreensão e tenho esperança, enfim, de que o leitor se pergunte: Mas, então, o Maquiavel estava do lado certo?

Maquiavélico deveria significar iluminação. O termo correto para o calculismo que explora e escraviza deveria ser Principesco.

Se você ainda não leu Maquiavel, leia como quem toma uma vacina. Por outro lado, se já leu, tenho certeza de que você deveria reler com os olhos de quem nunca fez parte de um principado, mas de uma massa de vítimas.

Comentários

Kiu Oliveira disse…
A história contada é sempre a vista da janela de quem conta. Poder.
Boa reflexão, André.

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