A PARTE DIFÍCIL DOS SONHOS >> Clara Braga
Início de ano sempre foi sinônimo de listas, planejamentos e mapas dos sonhos.
Mas confesso que, com o passar dos anos, esse ritual foi ficando chato. Existe algo de cruel, talvez até um pouco sádico, em chegar ao final do ano, revisitar aquelas listas e descobrir que não conquistei quase nada do que sonhei.
Foi então que me surgiu uma questão: será que a gente sabe sonhar?
É que talvez sonhar, diferente do que possa parecer, não tenha tanto a ver com desejar e sim com escolher. A realização do sonho é a linha de chegada de uma jornada repleta de pequenas escolhas que precisam ser feitas diariamente.
O problema é que cada escolha traz consigo uma renúncia, e me parece que é aí que a coisa desanda.
Por exemplo, não adianta colocar no mapa dos sonhos que esse ano você vai perder 10kg e continuar pedindo lanche quatro vezes na semana. Ou então desejar economizar e… continuar pedindo lanche quatro vezes na semana.
A minha intenção não é fazer parecer que para realizar sonhos a gente precisa apenas desinstalar o Ifood. Talvez esse seja até um bom começo, mas a ideia que eu quero passar é que sonhos cobram presença e coragem para abrir mão do conforto imediato.
No fim das contas, sonhar não é sobre o que agente escreve a cada passagem de ano e só revisita no final do ano esperando que tenhamos conquistado toda aquela lista na base da sorte. Sonhar é sobre o que estamos dispostos a sustentar quando o entusiasmo passa e ninguém mais está olhando.
Feliz Ano Novo!


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