sexta-feira, 31 de agosto de 2007

PEQUENA CARTA PARA UMA SAUDADE FORTE (Leonardo Marona)

De onde vem a idéia do refúgio? Quer se esquentar? Chegue mais perto. Não toque! Melhor primeiro dividir os pedaços da carne. Espere um pouco antes de lembrar dos mínimos ossos torácicos daquele coelho com batatas, com batatas? Mais importante que responder é perguntar, mas isso na época de Godard. Onde está Godard? Pensando na guerra. “Mas de quem os aviões não explodem todos os dias?” Que linda frase, minha amiga. Posso te chamar assim, espero. Que linda frase, irmã do meu destino. Uma frase sem condenação, uma frase cotidiana, que te traz como anúncio, uma frase comunitária, completa, já me sinto mais próximo. Não! Ainda não toco. Também não fujo. Não faço nada. Não precisamos fazer nada para estarmos juntos. Precisamos apenas de um labirinto e um enigma. Planando. Sim, posso sentir o vento no tórax. Pobre coelho despedaçado, de mínimos ossos torácicos. Ainda nos veremos, eu sei, espero. Mas quando nos virmos de novo, veremos o quê?


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