ILUSÃO >> Sergio Geia
O mesmo céu londrino de um show do Oasis, eu dirigia e a cada quilômetro percorrido ele se aproximava, me animei.
No cinza e branco, havia um anjo negro que se destacava.
Então percebi as primeiras gotas a marcar o vidro, sorri.
A mão direita pronta para acionar o limpador, mas o vidro continha apenas poeira endurecida, me contive.
E segui em frente atravessando-o, o anjo.
Já podia até ver um pedaço azul de céu, ele ficando pra trás, íntegro.
Eu que sempre fui sol, desta vez torcia contra.
No meio do dia senti um cheiro de terra molhada.
Por segundos…
Era ilusão.
Ilustração: Pixabay



O Oasis deu até uma camada extra, potencializando a tristeza pela não-chuva que caiu essa semana. Doído e bonito, Sergio.
ResponderExcluirTua crônica parece uma pintura impressionista...
ResponderExcluirBonito!
ResponderExcluirde uma leve esperança na beleza para a seca realidade. Minimalista e ótima como sempre.
ResponderExcluirVou escutar Oasis agora só por causa desse poema! Obrigado
ResponderExcluirSimples, poético, percutante e triste... Linda descrição desta esperança, por hora frustrada...
ResponderExcluirUma pintura.
ResponderExcluirTua crônica é poesia...❤️
ResponderExcluirQue beleza, Sérgio, o seu alumbramento!
ResponderExcluirVocês são lindos, e a chuva caiu por aqui.
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