MARGÔ E ZICA >> Albir José Inácio da Silva
Todo mundo chamava Margarete de Margô desde a infância, mas na adolescência começaram a chamá-la “Amargor” por causa dos seus maus bofes. As duas irmãs mais novas contribuíram para o apelido e a fama, exagerando nas gozações e nas implicâncias como resposta à tirania. Mas agora o que sentiam era pena da irmã, para quem nada dava certo. Margô, mordida de inveja, sentia-se cada vez mais rancorosa e humilhada. Casaram-se as irmãs com homens jovens, belos e pobres. A pobreza deles diminuía um pouco a humilhação, mas não curava. Elas ostentavam aqueles maridos como se os esfregasse na cara de Margô. Mas Margô tinha seus planos. Havia por ali um Seu Domingos, dono de cinco padarias e três supermercados, viúvo, que se dizia “caidinho” por ela. De vez em quando uma ambulância vinha buscá-lo por alguma emergência. Ele era careca, barrigudo e puxava de uma perna. No início Margô achou que seria mais uma humilhação - um ...









