SOBRE DUAS RODAS >> Albir José Inácio da Silva
Tudo começou na época ainda do velocípede. Caí, como caem os meninos. Não houve grandes prejuízos, só uns arranhões, mas me fizeram pensar na bicicleta. Se do velocípede eu caio, que dirá da bicicleta. Mesmo sem noções de física, desenvolvi teorias sobre a impossibilidade de uma bicicleta se equilibrar em duas rodas. Principalmente se eu estiver em cima dela. Ainda andei de velocípede algumas vezes, sem queda, com medo no início e desinteresse depois. A única coisa que ficou foi a certeza de nunca conseguir andar de bicicleta. Quando todos os garotos tinham bicicleta, eu desconversava, dizia que não gostava, que tinha problema no joelho, que ia querer mesmo era uma moto e que bicicleta era coisa de criança. Claro que minhas desculpas não valeram por muito tempo. Logo o “bullying” contra mim se espalhou pelos desafetos, pelos amigos e chegou aos parentes. Eu era medroso, desajeitado, esquisito e, o que era pior, desequilibrado. "Desequilibrado" me atingia com...








