BANHEIRO >> JANDER MINESSO
Entrei esbaforido no banheiro do shopping e quase trombei com um garçom do Frutaria. Pedi desculpas, mas ele mal me notou. Só bocejava e rolava a tela do celular. Como o filme tinha sido longo e eu estava apertado, deixei para lá e fui fazer meu xixi. Mal entrei no reservado e um trap abafado começou a tocar. Era o Bad Bunny perguntando se era isso que eu queria. Fiz o que tinha que fazer e, quando voltei, o rapaz dublava o som magro do telefone e espremia espinhas do rosto. Foram três enquanto eu lavava minhas mãos, e a última chegou a espirrar no espelho: uma pequena pelota espatifada de tons amarelos e rosados. Como não tinha papel do meu lado, precisei atrapalhá-lo para secar as mãos. Fiz tudo com a máxima discrição, temendo interromper aquele santuário. Mal tive tempo de alcançar a toalha quando um alarme estridente rasgou o flow latino ao meio. O menino pegou o celular de cima da pia e esmurrou o botão de desligar. Suspirou, encarou o espelho e depois olhou para mim. — É f...





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