ALMANAQUE 77 >> ANDRÉ FERRER
IMAGEM: Gemini A rua da Pedra e a rua do Braga se encontravam bem no meio da favela e eram as únicas do lugar. As duas vias formavam uma cruz imperfeita. Entre os barracos, havia os caminhos de terra batida, que todos usavam. As duas ruas principais também eram de terra. Tanto numa via como na outra corriam veios de esgoto. A sujeira saía das casas e flutuava naquelas valas antes de alcançar um dos canais da Lagoa. Para onde quer que se fosse, era difícil manter os pés livres da lama e da sujeira. A rua da Pedra tinha esse nome porque terminava num paredão de rocha, o que era bastante óbvio se comparado à escolha do nome da outra rua. Braga não fazia sentido para ninguém. Sequer os mais velhos, como a dona Bina, tinham conhecido alguém chamado Braga. Nem Ezequiel, neto de um dos pioneiros do morro, sabia de quem se tratava. Suas vivências nunca o fizeram conhecer o Braga e tampouco as leituras de Ezequiel falavam do homem que emprestava o nome para uma das duas únicas ruas do lugar....







