RELVA >> ANDRÉ FERRER
IMAGEM: Gemini A empregada foi buscar o pão com geleia e o homem bocejou. Com os lábios projetados, Fernando ergueu a xícara e testou a temperatura do café. Pela vidraça, a linha entre a grama aparada e o calçamento que levava à piscina estava perfeita. Lá fora, o jardineiro arrematava o serviço iniciado no dia anterior. Ele cortou uma haste rota. Examinou com atenção. Enfiou num saco de lixo. No solário, a empregada voltou com o restante do café da manhã. Ao servir, a louça esbarrou no jarro de suco. — Oh, seu Fernando! — O que foi, Sílvia? — O vizinho sofreu um acidente. Foi levar a mulher ao aeroporto, de madrugada, e bateu o carro na volta. Um ruído seco finalizou o segundo gole de café. — O Eraldo! Como ele está? — Morto. Assim que terminou, Fernando foi até a porta. O jardineiro acenou. Mostrou a ampliação do canteiro de rosas concluído na véspera. — Uma palavrinha, doutor? Quando se aproximou, Fernando uniu as mãos atrás do corpo. O jardineiro sorriu. — Perdão, douto...







