café com vexame >> whisner fraga
eu me sento, encastro os fones na orelha (com cancelamento de ruído no máximo - depois conto mais sobre isso), arranco um naco do bolo, levo à boca no mesmo instante em que a música se esparrama pela cabeça, o paraíso, os olhos se fecham para dar espaço aos outros sentidos, que tomam conta de mim, não sei quanto tempo se passa até um sobressalto me despertar: alguém me chama, me desperto, desligo os apetrechos eletrônicos, afasto a bandeja, ajusto o colarinho, pigarreio, volto um pouco à frivolidade do real, há um homem impaciente aguardando minha atenção, está de calça jeans, tênis, camiseta, é educado, meia-idade, alguém comum, oi?, o senhor poderia me pagar um cafezinho?, sim, pode pedir lá e dizer que é por minha conta:eu queira voltar ao paraíso da insociabilidade, mas a impaciência do sujeito se converte em servilismo e eu odeio isso, essas vênias exageradas a título de agradecimento, segue até o balcão e pede um café (do grande), um suco, um croissant, uma fati...








