TRAVESSÃO >> JANDER MINESSO
Semana passada, pedi para um amigo do trabalho revisar uma sinopse que eu tinha redigido. Quinze minutos depois, ele me devolveu o documento. – Eu só tiraria os travessões. Eles têm muita cara de IA. Diante da minha expressão de dúvida, o amigo explicou que agências de comunicação de todo o Brasil – quiçá do mundo – têm criado textos a rodo usando inteligência artificial; e que um dos sinais mais gritantes do uso de IA é a presença de travessões. Fiquei puto. Quer dizer que agora não posso usar um recurso porque vai parecer que o R2D2 escreveu a minha sinopse? Como escrever um diálogo, então? Com aspas? Aqui é Brasil, pô! Apesar da minha fúria, meu camarada insistiu que já era senso comum no mercado de comunicação: se tem travessão, foi um robô que fez. Apesar do aviso, não só resolvi ignorar a ideia como decidi fazer um levante deliberado contra ela. Vou usar o travessão quando bem entender – e os incomodados que se incomodem. Quem me conhece sabe – assim espero – que uso traves...








