O HOMEM DOBRADO >>> NÁDIA COLDEBELLA
Sentada no banco da praça, a menininha observava. Ela viu um homem encurvado, andando lentamente, carregando uma enorme bolsa nas costas. Não tirava os olhos dos próprios pés. Sabia a cor da terra, as ranhuras do solo, cada pedrinha do caminho — mas nada do que havia à direita ou à esquerda. Ele tentava manter o equilíbrio. Às vezes tropeçava, fazia um esforço extra para não cair. Até que, num momento derradeiro, o esforço foi inútil. A menina o viu tombar de joelhos sobre as pedras. O que ela não notou foi que, ao cair, o homem só pensou em proteger a bolsa. Assustada, ela gritou: — Moço! Você está bem? Ele pareceu não ouvir. Sentou-se com dificuldade, pôs a mala ao lado e verificou se nada havia sido danificado. Só então olhou para os joelhos, em carne viva. Apenas retirou as pedras grudadas na pele e levantou-se. Encostou-se num poste e lamentou: — Oh, Deus! Por que me castiga assim? Ai de mim! Lágrimas grossas escorriam pelo rosto sujo. Ele continuou, em profunda autocomiseração: —...

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