AINDA ESTOU AQUI >> ANDRÉ FERRER
IMAGEM: Gemini Quem cresceu na Guerra Fria, tinha um cronômetro no tapete da sala, mas aquela concepção de Apocalipse era equivocada. Se algo aconteceu de catastrófico, deu-se numa “virtualidade” capaz de deixar Deleuze boquiaberto. Enfim, o mundo no qual eu nasci foi destruído — não tenho dúvida —, mas com promessas homeopáticas de bombas jamais detonadas. Há quem diga que o mundo ficou melhor (muitos, na verdade), mas eu discordo. Meu POV nunca saiu do Day Before, aquele tempo naturalmente fresco, quando, felizmente, os meninos do Crowded House não paravam de tocar no rádio e havia um “card” novo em cada chocolate Surpresa. Cavalo não era zebra. Quebra-cabeça, indiscutivelmente, era quebra-cabeça e, de fato, cada peça tinha o seu devido lugar no jogo. Quando nasceu, o Day After mostrou-se um eterno convescote de chinelinhos brancos, alto-falantes JBL e óculos da Oakley. Um horror (para dizer o mínimo). Entre 1996 e 2010, senti que tudo havia acabado porque, antes, a galera brigava...




