PRECE >> KIU OLIVEIRA
Aprendi uma felicidade nova na escola, e saí de lá doido pra mostrar a novidade a minha vó. Entrei pela porta da frente da nossa casa, esbaforido, sorriso frouxo no rosto, lápis verde na mão e um caderno com a foto de Nossa Senhora na outra. Gritei por vó até aparecer a vizinha na porta da nossa casa, sussurrando que vó foi ver a filha que estava desaparecida; acharam ela depois de anos de busca. E aumentou a voz ao dizer que a sumida apareceu graças aos cartazes nas ruas, anúncios nas rádios, na tevê, na internet, e principalmente por conta da intercessão do Santo Antônio de vó. Coloquei o caderno e o lápis na mesinha da sala, onde ficava o santo querido de vó – tinha um igualzinho em cada canto da casa. Ela rezava todos os dias pela volta da sua menina. “Onde ela foi, Marta?” A vizinha fez cara de não sei. “Eu queria mostrar pra vó uma arte nova. Ela demora?” “Sua avó não falou, você morre de saber que ela nunca dá satisfação sobre aonde vai. Só deixou comigo um recado: é...








