CASAMENTO POR INTERESSE >> Zoraya Cesar
Elza sempre fora chamada de Elzinha, e não poderia ser diferente. Tão magra que mais parecia um daqueles gravetinhos que caem da árvore ao chão à mais leve brisa, e fazem crec-crec quando pisados. Era uma frágil donzela, sempre doentinha, tímida e feia. Não feia horrenda, mas feia feinha, sem graça, sem jeito, sem bunda e sem peito. E esquisita também, vivia falando em magia negra, mortos-vivos, feitiçarias do Além. A família não via outro destino para ela que não o de morrer – logo ou dali a algum tempo, não importa – solteirona. Virgem. Intocada. Encalhada. Mas Elzinha tinha dois encantos guardados na manga: a delicadeza – parecia incapaz de fazer mal ao que quer que fosse, nem carne comia, vegana que era; e a riqueza. Elzinha era rica. Muito rica. Com esses dois atributos, só morre solteira, mesmo à beira do túmulo que seja, quem quer. E Elzinha não queria. Não queria morrer sem sentir o gozo de ser abraçada e penetrada por um homem, sem sentir a energia sexual...





