SÓ ISSO, DOUTOR? >> Albir José Inácio da Silva
Estou feliz de estar vivo, mas não sei por quanto tempo. Posso sentir através das pálpebras a luz do teto, mas continuo de olhos fechados. Desta vez não vou fazer escândalo para não me injetarem um sossega-leão como ontem. Mas aquilo não foi culpa minha. Quando acordei no hospital, minha mãe falava com o médico: - Mas Doutor, o que ele tem? O médico disse um nome esquisito de doença. Soube que era grave pelo nome. Embora eu não conheça, deu pra notar que é coisa séria. Ao ouvir aquilo meu corpo não me obedeceu mais, as pernas batiam na cama e o braço jogou o suporte do soro no chão. O médico gritou e a enfermeira veio com a seringa. Acordei agora, mas vou deixar que pensem que ainda estou dormindo. A minha via crucis começou no final de semana quando a família resolveu visitar de carro uns parentes no sul da Bahia. Eu não queria ir porque não estava bem. Mas, como sempre, “vamos, não é nada de mais, vai passar, você precisa espairecer”,...








