ORAÇÃO PARA CONTINUAR
Desligo o despertador do celular às duas da manhã. Minha esposa acorda ao meu lado; digo que pode voltar a dormir. É a minha vez de conferir se está tudo bem. O filho mais novo dorme no berço ao lado da nossa cama. Eu o ilumino com a lanterna do celular e o observo atentamente: o diafragma em movimento. Ajusto os sentidos, então ouço o som da respiração dele, o ar fluindo em seus pulmões. Encosto o ouvido em seu peito, que vibra com pressa. Saio devagar e sigo até o quarto dos outros dois. Em sua cama, o filho do meio está descoberto e encolhido em posição fetal. Ajeito o cobertor sobre ele que, sem acordar, termina de se agasalhar com as próprias mãos. Espero ele parar de se mexer para verificar sua glicemia. Faz dois anos desde o diagnóstico do diabetes mellitus tipo 1. Colo o ouvido em seu peito para escutar a vida; os sonhos. O filho mais velho ocupa uma cama inteira. Lembro-me de ele medir pouco mais de um palmo e caber em minhas mãos. Não se move, por iss...








