VAMO ALI COMIGO? ALLYNE FIORENTINO
Pego o molho de chaves da casa, o da mãe, com o chaveiro colorido. O molho de chaves do pai, esse não podíamos pegar. Ele sempre tinha mais chaves que o da mãe, embora nunca soubéssemos a quais fechaduras pertenciam; o chaveiro era daqueles que você podia abrir e acoplar no cós da calça para não perder. O chaveiro do pai era sagrado, só podíamos pegá-lo em caso de emergência. Criança não tinha a chave de casa, um cuidado que gerava mais contratempos do que benefícios em minha opinião. Era uma eterna estratégia de quem saía ou deixava de sair e com que chave, se entra ou sai de casa, se quiser entrar tem de necessariamente ter alguém pra receber ou então vai ficar do lado de fora aguardando. Engraçado como tudo isso podia ser resolvido com uma cópia a mais de chave, mas essa dinâmica nos fazia ganhar habilidades de organização, noção de tempo e, às vezes, de premonição. O mesmo fazíamos com a Tv. Era raro uma casa ter mais de uma televisão, o que nos fazia treinar as habilidades...
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