MÁQUINA DE COSTURA >> KIU OLIVEIRA
Eu tinha cinco anos de idade, e o que mais queria era aprender a dirigir. Meu pai se negou a me ensinar, com o argumento de que nem gente eu era ainda. Assim, fui obrigado a recorrer à minha mãe, ou melhor, à sua máquina de costura. Eu esperava Dona Daia tirar folga dela para assumir o posto. À espreita, eu observava aquelas mãos grossas a manusearem, com delicadeza, as agulhas, as linhas e os botões, dando significado ao tecido. Ficava nas nuvens quando ela aparecia com uma peça nova de roupa, mas feliz mesmo eu ficava ao vê-la remendar as minhas bermudas e camisas preferidas. Eu morria de vergonha quando o reparo nas calças era nos fundilhos, mas as usava assim mesmo, não queria minha mãe sem graça. Quando ela se cansava, era a minha vez. Na parte de baixo da máquina de costura tinha um vão com um lugar de assento e um volante à frente. As rodas, o motor e o restante ficavam por conta da imaginação. Passei muitas tardes dirigindo aquele carro. Passado um tempo...









