ÓCIO >> JANDER MINESSO
No último feriado, me entreguei ao ócio. Depois do almoço, botei o Disintegration na vitrola, deitei no sofá com o encarte nas mãos e decidi que era justo não pensar em trabalho num dia de folga. Quando a parede de teclados de Plainsong explodiu pelas caixas de som, meus olhos já estavam pesados. Mas não dormi; fiquei naquele lugar mágico entre o sono e o mundo desperto. Quando conseguia, lia um trecho das letras que já sabia de cor desde a adolescência. Nas partes instrumentais, deixava a preguiça me levar pelas marés de riffs cheios de ecos. Em algum momento, a cachorra pulou no sofá e se aninhou perto dos meus pés. Quando virei o disco, ela já estava roncando. A luz lenta do sol de inverno refletida no prédio da frente me agredia um pouco os olhos. Coloquei o encarte na frente do rosto para me proteger e acompanhei o Robert Smith em Lovesong. Ele disse numa entrevista que não gostava muito da música e que ela era só um presente para a esposa. O cara poderia ter comprado um...






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