Ando pelas ruas da cidade. Bandeiras, carros enfeitados, vuvuzelas, fitas verdes e amarelas. Sou um otimista; acredito que as coisas vão dar certo por um tempo. Lembro-me de me apaixonar por uma garota quando cursávamos a sexta série. Era um amor de brincadeira; achava divertido levar os foras que ela me dava todo dia. As primeiras paixões são como o canto das sereias na Odisseia: elas nos puxam para fora das nossas infâncias e fazem a gente querer ficar mais velho logo. Pensava comigo: "Tenho que insistir, sem desrespeitá-la ou aborrecê-la, é claro". Ficamos amigos e nos aproximamos; ela não levava a sério minhas juras de amor. Nem eu mesmo as levava! Sabia que nunca iríamos namorar. As meninas queriam os garotos da oitava série ou os que já estavam no primeiro ano do Ensino Médio. Eu tinha que atingir esse nível de escolaridade se quisesse chamar a atenção de alguém como ela. Bem que minha avó falava da importância dos estudos; ah, a sabedoria dos mais velhos! Ainda a...
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Crônica do Dia
Crônicas diárias de escritores brasileiros. Todo dia, um texto novo. Para fãs de literatura que buscam leituras rápidas, únicas e instigantes.
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