ESTEVÃO >> JANDER MINESSO
No Ano Novo, o Estevão fez a clássica promessa de parar de beber. E não foi da boca para fora: entre as festas de fim de ano e o Carnaval, ele tinha tomado uma única taça de vinho e olhe lá. Não queria levar o comprometimento a ferro e fogo, mas considerava uma dose em dois meses prova suficiente de seu empenho. Também tinha deixado para lá os bonequinhos de super-heróis. Sentia que não pegava bem chegar com a peguete no apartamento e ter que explicar quem era o Asa Noturna. Estevão até acreditava que o amor verdadeiro dependia da aceitação integral do outro, incluindo os passatempos e o Asa Noturna, mas naquela coleção tinha muito dinheiro parado. Vendeu dois terços dela assim que voltou do Réveillon e nunca mais comprou um hominho sequer — nem aquele Monstro do Pântano vintage que apareceu no grupo de promoções do WhatsApp. Inclusive, saiu do grupo para não cair em tentação. Depois de duas resoluções sólidas colocadas em prática, ele queria mais. Queria ver a vida como ela é,...






