O TEMPO >> Sergio Geia
Neste momento em que escrevo, gozo de uma licença médica. Eram dez dias. Viraram doze. Não se preocupe. Nada demais. Uma pedra. Umazinha só no rim, enorme. Precisei de cirurgia. Nome difícil. Ureterorrenolitotripsia. Gozar não é a palavra correta, convenhamos. Digamos que suporto uma licença médica. E nada demais também não foi muito apropriado. Talvez para os jovens, que devem aguentar melhor o pós-cirúrgico; não é o caso. Minhas primeiras visitas ao banheiro após a cirurgia foram terríveis. Depois um fio de nylon . O tal cateter duplo J. Na madrugada, cada mexida na cama era um exercício de encaixes e desencaixes. Além do desconforto, um descuido poderia ser fatal. Mas hoje, dia seguinte à sua expulsão, estou melhor. Até saí à varanda, peguei um sol. Homens trabalham em telhados, mulher rega o jardim, um casal passeia com o cachorro; é o tempo andando. Antes de sentar para escrever esta crônica, coloquei os pijamas na máquina. Para agu...








