O QUE QUASE ACONTECEU >> Lara Passini Vaz Tostes
Se tivesse acontecido, teria sido pequeno. Mas não aconteceu. Era nisso que Alberto pensava enquanto caminhava. Faltara pouco — sempre falta pouco — para chegar ao presidente da empresa, cumprimentá-lo, deixar uma boa impressão. Era simples: um aperto de mão, um sorriso no instante exato, a sensação breve de pertencimento que sustenta semanas inteiras de vida funcional. No mundo corporativo, são esses gestos mínimos que costumam render tranquilidade interior. Naquela noite de confraternização, estivera perto. Não exatamente ao lado — perto o suficiente para justificar a esperança. Vestira-se bem, penteara o cabelo com mais cuidado que o habitual, escolhera a roupa com uma atenção que beirava o ensaio. Revisara mentalmente os gestos, o tom de voz, até o tempo exato de sustentar o olhar. Preparara-se para um papel curto, mas decisivo. Ao chegar, sentiu-se adequado à própria imagem. Circulou pelo salão com discrição estudada, cumprimentou quem julgou necessário, sorriu no limite ace...








