TÔ QUE TÔ >> JANDER MINESSO
Já reparou na riqueza da expressão “tô que tô”? Deve ser a maior concentração de significado por palavra do nosso idioma. Alguém disse que a liberdade é algo que ninguém explica, mas todo mundo entende. “Tô que tô” é a mesma coisa. Inclusive, nem vou tentar explanar a profundidade desse dito para não passar vergonha. Por exemplo: se um colega de trabalho chega de cara amarrada e avisa que ele tá que tá, é melhor manter distância. Mas se o Adauto, centroavante do seu time na pelada de domingo, tá que tá, o sentido é outro e a goleada é certa. Outra coisa cativante é o antiacademicismo da expressão. Se um tirano da gramática chegar afirmando “eu estou que estou”, pode ter certeza de que é mentira. Quem tá que tá não está, nem nunca estará. Até porque esse é um estado (na verdade, um tado) presente ou, no máximo, uma saudade. Não tem como profetizar “amanhã eu tarei que tarei”. É algo momentâneo, efêmero, nascido para evanescer. “Tar que tar” é agora. Depois, restam ape...








