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ESTRELA CADENTE >> ALLYNE FIORENTINO

O céu da metrópole acontece em recortes. Não é que a curiosidade humana pela imensidão diminuiu, mas os seus olhos precisam achar um canto de infinito entre prédios e bojudas nuvens de fumaça para flagrar qualquer astro. É por isso que sumindo pelas estradas país adentro, roubando o tempo do mato rasteiro, avançando pela saudade de um vaga-lume que não existe mais, deito meu corpo no chão nu, esperando o abraço de Neuth, que engole a tudo sem fúria. Sinto o peso do firmamento no peito, esmagando minha insignificância sem me sufocar, como uma mãe imporia sua grandeza com doçura. A noite nos ensina sobre as coisas que nunca mais veremos. Não pela morte derradeira, irremediável, mas por tempos e acasos inexplicáveis. Perde-se um cometa e ele não passará novamente a tempo de te achar em vida, mais um eclipse se perdeu em meio à cadência dos dias, quem sabe daqui 25, 50 anos se o amanhã não nos consumir. Um desencontro em um dia infeliz e seguimos confiando que teremos outra volta, me...

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