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FECHADURAS >> KIU OLIVEIRA

  Mãe Ana não conseguiu muito na vida, apesar do seu esforço. Acordava cedo todos os dias, conferia sua penca de chaves e caía no mundo, ela e Deus. Eu sempre quis tocar nas chaves com o mesmo gosto e zelo que ela; percorrer, com as pontas dos dedos, a foto no chaveiro, as quinas, curvas e segredos guardados. Agora que as herdei, abriria mão delas, se Mãe Ana voltasse. Meu irmão de criação ficou com a casa e não questionou a minha parte, o que foi um alívio, pois lembro dele raptando as chaves quando Mãe Ana se distraía com a pia, o tanque de roupas, o piso breado, o pó nos móveis, as panelas no fogão, a papelada com todos aqueles números. Ele saía, enquanto eu ficava com a obrigação de assoviar alto se ela o procurasse. Eu nunca descobri aonde ele ia. De Mãe Ana eu sempre soube, porque a segui muitas vezes e a vi tentando abrir portas emperradas e, em suas investidas, parecia escolher a chave errada, então tentava outra até não sobrar nenhuma. Com cara de quem correu o dia todo, e...

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