UM GESTO, DUAS CIDADES >> Sergio Geia
Ouvi uma conversa. A mulher carregava no ombro uma bolsa. Encontrou a amiga e parou. — Quanto tempo! Abraçaram-se com certa intimidade. —Você vai à missa? — perguntou a amiga, curiosa que só ela. A outra sorriu, levemente surpreendida: — Não. Estou caminhando. A explicação veio rápida, quase um pedido de desculpa pelo engano: — É que você está de bolsa… pensei que fosse à missa. — Estou de bolsa porque trago pão e café para as pessoas em situação de rua. Quando a bolsa está vazia, aí sim começo a caminhar. Houve um pequeno silêncio, a amiga arregalou os olhos: — Nossa… que linda atitude! Depois se desculpou: — E o que eu tenho a ver com isso? Xereta… desculpe, Amélia. Não tinha nada que perguntar. Deu ainda para ouvir um rabo de conversa: — Estive longe por quase seis meses. Uma cirurgi...





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