A VIDA PODE SER UM CAJU >> Sergio Geia
Ah, eu me divirto! Ler crônica é uma diversão. Veja esta passagem de Antônio Maria: “Aproveito a oportunidade para comunicar a todos que não me considero uma pessoa inteligente, e sim infeliz. Feliz é Rubem Braga, que está desempregado, chupando caju e telefonando para as moças”. O cronista não aguenta o calor do Rio, a leseira, e a necessidade de escrever três crônicas para seus patrões em uma hora. Está deitado, sem vontade de se levantar, e desabafa, reclama. Então solta essa do velho mestre. Desempregado e chupando um caju. É como se na vida houvesse coisas mais importantes do que simplesmente chorar a falta do trabalho. Na era da sociedade pós-industrial, do trabalho imaterial, flexível e digital, ainda somos exigidos à exaustão, como máquinas. Trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos, até que a mecânica da máquina começa a falhar. A vida pode ser chupar um caju. Ou perceber a chegada do outono, degustar lombo d...








