INFINITO >>> Ionio Paschoalin
Os olhos do meu pai têm a cor do mar depois que chove muito; é um pouco verde, um pouco cinza e, se você olhar mais de perto, vai perceber uma correnteza em movimento. Dentro deles há um oceano imenso, barrado apenas por suas retinas, onde nadam fábulas esquecidas, segredos dos navegantes mortos, memórias, mistérios e a eletricidade dos trovões. Quando chegam as tormentas que agitam o mar do mundo dele, suas lágrimas formam ondas do tamanho de edifícios, que escoam pelos vãos das suas pupilas e são bem mais salgadas do que as de qualquer outra pessoa. Mesmo suportando turbulências, não gosta de falar sobre si mesmo. Confesso que queria conhecê-lo melhor e, durante toda a minha vida, o observei. O que sei dele é que é humilde, honesto e compassivo. Gosta de ajudar e odeia pedir ajuda; as coisas que ele tem, ele as tem para dar. Não retém nada para si por muito tempo; nada que possa ser segurado por mãos ou guardado em carteiras, bolsos ou bancos. O velho não tem inimigos; to...








