DESCONEXÃO >> Carla Dias
Chega e se acomoda ao estranhamento causado. As pessoas o observam sem entender de onde veio; ele oferece a elas um sorriso demorado, tentativa de barganhar tempo na companhia delas. Aprendeu cedo: sorriso escancarado, amparado pelo silêncio, aproxima em quase todas as ocasiões. Acredita e vive essa certeza, apesar de ter experimentado algumas situações que renderam humilhações e petelecos. Considera-se um excelente profissional da leitura de pessoas: gestos, tiques, palavras-chave habilmente aplicadas durante conversas aleatórias. Peço permissão para me intrometer e compartilhar informação: ele não é tão talentoso assim. Na verdade, mora ali, naquele corpo embrulhado em roupas que não lhe caem bem — e levarão muitos acontecimentos para se gastar — a repetição, o que, não raro, estraga um ser humano sob o olhar do outro. No fundo, ele sabe. A escolha por se enganar alimenta mirrada esperança de alguém se ater à sua presença e reconhecer — entre os defeitos apontados em post...







