ENTRE ESPINHOS >> Ana Raja
O espinho de um cacto furou a pele do meu braço. Sangrou, arroxeou ao redor da dor.
Passei a língua na tez ofendida pelo padecimento para estancar o sangue, mas a ardência provocada pelo espinho me trouxe uma revolta, um sofrimento anormal.
Eu só sentia dor.
O suor nervoso escorria pela minha testa. Não encontrava uma forma de amenizar o que sentia. Estava apegada ao desaforo do espinho, por ele ter reivindicado o direito de me ferir. Respirei em pausas, do jeito que se aprende na ioga. Fechei os olhos e tentei me acalmar.
Alguns segundos depois, meus olhos cegos de dor foram descortinados para encontrar uma flor amarela e brotos rosas a florir entre espinhos.



Que crônica maravilhosa! Numa situação cotidiana, toda a revolta que causa a dor da decepção.
ResponderExcluirFui eu q fiz o comentário.Soraya
ExcluirDizem que, quando a gente dá sorte, as flores brotam bem desses lugares que machucam.
ResponderExcluirEnxergar a beleza enquanto sente dor é para poucos. Muito poucos.
ResponderExcluir"O que dá pra rir dá pra chorar, questão só de peso e medida, problema de hora e lugar, mas tudo são coisas da vida", já diz o samba!
ResponderExcluirQue beleza, Ana!
Ah, dor... Ardor... A dor, suas raízes e seus frutos...
ResponderExcluirAs vezes uma dor é preferível a outra. Em todas elas podemos encontrar alguma flor?
ResponderExcluirQue crônica linda , dolorosa e poética!!!