MEU TEMPO ANDA SEM TEMPO >> Ana Raja
Meu tempo acelera.
Pensei em tudo que posso gritar.
O Tempo é arrastado,
não consegue colar os meus pedaços tatuados em suas
entranhas com lápis azul.
A rapidez impera
em mim.
Respiro no contratempo,
antecipo quereres.
O Tempo tem seu próprio tempo.
O risco deseja o agora,
mas o Tempo escolhe a anunciação lenta.
Dou cinco passos,
me atiro em seus braços,
O mundo roda e me
arremessa para o lado.
O Tempo é tempo acabado.
Decido ir sozinha,
cavalgo a galope.
Transbordo desejos que não cabem na cadência determinada pelo Tempo.
O meu tempo sofre.
- - - - -



Na faculdade, tive uma professora que adorava mitologia grega. E uma das coisas mais legais que ela nos ensinou foi a diferença entre Chronos e Kairós. Sua reflexão me levou de volta no tempo (ou no Tempo?), direto para aqueles dias, Ana.
ResponderExcluirProfundo. Gostei dos caracteres azuis no meio da crônica.
ResponderExcluirAh, o tempo e o bem-dizer da Ana…Que lindeza, amiga. Emocionou meu domingo.
ResponderExcluirAdorei a crônica. Concisa, gostosa de ler. Porém forte na delicadeza do tempo.
ResponderExcluirParabéns!
Que beleza de texto, Ana! Nos faz refletir sobre o deus mais assustador de todos, mais até que o deus morte. E quem não se reflete nas suas palavras? Vc nao está sozinha.
ResponderExcluirA palavra crônica vem exatamente do termo chronos. Sim. Quanto mais tempo existir numa crônica, mais crônica ela é.
ResponderExcluirA palavra crônica vem exatamente do termo chronos. Sim. Quanto mais tempo existir numa crônica, mais crônica ela é. André Ferrer aqui.
ResponderExcluirEu acho o tempo uma das coisas mais ambivalentes que existem. Tem o tempo de fora, que envelhece, destrói, corroí, e o tempo de dentro, que parece não passar. E quanto mais tempo passa, mais distante um do outro.
ResponderExcluirÉ uma coisa estranha, né? Poque se a terra não girasse (fora o fato de estarmos todos mortos), a gente falaria em tempo?