A HISTÓRIA DE UM DESCUIDO >> SORAYA JORDÃO
Quando teus dedos tocaram a superfície do meu corpo, despertei da escuridão do silêncio.
Deixei-me abrir como quem pula do penhasco na busca de abraçar a leveza do fim, sem freios.
Entrega e espera. História e vazio. Início e fim.
Almejei um lugar na tua rotina, um pouso no teu colo, um espaço no teu dia.
Desejei meu nome em teus lábios, meu corpo nas tuas digitais.
Não há ousadia maior que habitar o ser amado.
Delirei a eternidade, não um lugar empoeirado em tua estante.
Todo livro arde a ânsia de ser possuído.
Abre-me, Sésamo.
Não me condenes a mofar no cárcere de uma bela capa, na prateleira decorada de tua existência.
Abre-me, Sésamo!
Leia meus segredos, rancores, amores e silêncios.
Empresta-me. Doa-me.
Deixa-me viver na pulsação dos teus cílios.
Só não me consagres ao teu letal desinteresse.



Um texto tesudo, sem dúvida. Deu até vontade de desempoeirar aquele Crime e Castigo que comecei 738 vezes e nunca terminei.
ResponderExcluir@Jander, ri alto. Adorei o cometário.
ResponderExcluirQuanta poesia! Belíssimo texto. O seu livro será lido com esse encanto.
ResponderExcluir@Ana, minha amiga queridaaaaaaa, tomara!
ResponderExcluirApesar dos avanços, o livro ainda carrega a humanidade nas costas. André Ferrer aqui.
ResponderExcluirConcordo, @Andre
ResponderExcluirQue delícia, Soraya. Adoro essa pegada de dar (enfatizar) vida e voz a um objeto. Como não lembrar de 'O caderno"? (que também adoro, diga-se).
ResponderExcluirSim, também lembrei d'O Caderno: "Não me esqueça num canto qualquer."
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