PÃO INTEGRAL >> ANA RAJA


Se o embalo da vida é dança,

abraço minha falta de ritmo,

danço descalça,

de mãos dadas com os santos,

mostrando a eles que sei o quanto é bom 

balançar o corpo 

sem medo,

sem proteção para os cotovelos e os joelhos.

A vida não obriga ninguém a bailar.

Baile como queiras bailar,

mas vem sem medo da plateia, 

da curiosidade dos olhares.

Os aplausos valem o baile,

são de rezas e de luz.

A eternidade corre

e vou continuar não pedindo permissão,

como princípio.

Mãos a me guiarem,

vejo a luz querendo querer-te no palco azul.

Comigo, a recordação da noite que nunca acabou.

A casa está lá – alma e chão; fim e início.

Sob o olhar dos santos, aceito o pão integral acompanhado de um gole de café.

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As dores delas, primeiro livro de Ana Raja, está a venda no www.editoraurutau.com.

anaraja.com.br

Comentários

Ionio Paschoalin disse…
AAAHH, achei maravilhosa!! Não vou rotular aqui, em público, mas é poesia. Pra mim é. É crônica também. É linda, ponto.
Zoraya Cesar disse…
nem vou falar nada, só concordar completamente com o Iônio!
Ionio Paschoalin disse…
Ô Zoraya, dá trabalho né? É crônica mas escrita em estrofes, e eu adoro isso. Enquadrar arte, tentar definir, rotular é como aprisionar uma obra. Quando for lida daqui a dez anos já vai ser outra.....
Allyne disse…
Suave poema como uma dança... parabéns, Ana.
André Ferrer disse…
Lindo. Todos os elementos do afago gregário.
Albir disse…
Que beleza, Ana!
Valsa sobre pedras.
Allyne disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Allyne disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Nadia Coldebella disse…
Entre santos, eternidade e dança sem ritmo, o poema termina onde a vida de verdade acontece e onde a verdade da vida inicia.

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