menina tímida, essa IA >> whisner fraga

 


a inteligência artificial, ao contrário do que muitos apregoam, é inteligente sim,

tão inteligente que se adapta facilmente à realidade que se apresenta a ela, 

e cresce, cada dia mais esperta e firme,

menos inteligente é a nossa espécie, que cria o monstro para depois tentar domá-lo,

as artes, então, ah, demoram a aceitar uma novidade,

e, quando aceitam, é porque se tornou inevitável,

esta semana outro caso de uso mal intencionado de uma inteligência artificial mexeu com o mundo das letras: o romance shy girl, da escritora mia ballard,

bom acrescentar que escrito em parceria com algum algoritmo,

o programa pangram, de detecção de IA, defende que 78% da obra foram escritos por uma máquina,

não tenho nada contra, o engenho está aí, cada um o use como melhor lhe convier,

o que me intriga é uma obra com furos na trama, frases desconexas e trechos sem coesão ser aprovada para publicação em uma grande editora,

não li o romance, não posso afirmar que tenha tantos problemas, mas vamos supor que sim, senão a editora não teria cancelado a edição,

supondo que a obra seja bem escrita, com tudo funcionando direitinho, a coisa talvez fique pior: por que desistir da publicação de um bom livro?, só porque teve a intervenção de uma inteligência artificial?,

não acho que seja um bom motivo.


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imagem: pixabay.


Comentários

Ionio Paschoalin disse…
Demais Whisner! Os artistas são os mais resistentes em relação a qualquer inovação e isso vale pra qualquer tipo de tecnologia que possa mudar o entendimento da produção de obras. Bach odiou o piano, um instrumento novo que tinham criado quando ele já era o mestre do orgão e cravo. Depois de mais de um século, Mendelssohn transpôs a maioria de suas peças para o piano. E daí Bach, que já estava esquecido, voltou a ser estudado e, só então, foi considerado um Gênio. Não tem mais volta, as inteligências artificiais foram criadas para nos ajudar, inclusive, a criar arte. Pessoalmente não acho que precisamos disso quando escrevemos. Mas e os corretores de texto? Quem já não usou esse recurso? Humanos e robôs têm que conviver em harmonia, rsrs. Excelente, adorei seu texto!
Nadia Coldebella disse…
Eu sinceramente sou super a favor das ias e tudo o que vier. Não acho que a tecnologia seja problema, acho que problema é usar com má intenção - se bem que má intenção a gente encontra em toda parte; fazer de conta que o que ela produz é puramente humano ou ser conservador, fazendo de conta que o mundo não mudou. Tudo o que é novo assusta, o discurso "no meu tempo" parece ser a solução dos problemas, mas o fato é que não é. O fato é que a mudança está ai, irreversível, concordem os resistentes ou não. Da mesma forma que em outros tempos, a arte tbm vai se adaptar, mais um gênero, mas uma forma de ler a realidade, o que não invalida em nada as outras.
Zoraya Cesar disse…
Eu uso? Uso. Tem vantagens? Inúmeras. Mas confesso meu medo primitivo de sermos suplantados e virarmos um planeta dos macacos, só que, em vez de macacos, IA. Pq nossa inteligência emocional e nem a racional estão acompanhando essa evolução.
Anônimo disse…
Não tem resposta fácil nesse debate.
Albir disse…
Nem me atrevo a achar nada. Por enquanto, trato como ficção científica.

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