OS LEITORES TAMBÉM ESCREVEM >> Sergio Geia
Leio todos os comentários das minhas crônicas, os daqui, do Facebook, do Instagram ou do WhatsApp. As respostas demoram, eu admito. Hoje, por exemplo, domingo, tirei a manhã pra responder uma parte.
A crônica Verdejando foi uma brincadeira de fazer poesia com a minha namorada corintiana. Márcia comentou: É, eu sempre disse que esse cronista iria virar poeta. João Bosco: Juvenilidades de um palmeirense, só pode ser. Zoraya Cesar enxergou nela o menino no coração do homem que ainda vibra com seu time de futebol.
Eu, careca?, rendeu comentários espirituosos. Téo, um amigo, não se conformou: Que isso? Careca? João Guarnieri me acolheu: Bem-vindo ao time. Zoraya deu aquela força: Ué, mas se é dos carecas que elas gostam mais! Darcy Bandeirante Azevedo Costa disse: “Interessante sua crônica, Geia. Careca hoje é charme. Não vê o Xandão? Ana Favali: Às vezes é necessário rever conceitos, posturas e autoimagens para a vida ficar mais light. Paulo Pereira: Crônica é isso, caro Geia, um pequeno detalhe cria um fato interessante. Iônio foi preciso: Sergio, estou rindo até agora. Mas vou te falar, ficar careca é um tipo de libertação. É lindo ter cabelos, mas dá um trabalho extremo! Quem é careca ou cabeludo vai concordar comigo. Respondi: Iônio, crônica e brincadeiras à parte, penso exatamente como você. Para alguns, a calvície é uma prisão.
A vida pode ser um caju sublinhou a simplicidade que podemos conferir à existência. A galera concordou. Jander destacou a beleza do cotidiano; Kiu, Ismar e Zoraya puxaram para a beleza do simples. Andreia de Oliveira achou um belo texto. Paulo Pereira disse: A vida pode ser uma crônica do Rubem Braga ou uma de sua lavra. Com elas, se consegue ter uma sensação de que não estou cansado. E Albir veio com mais uma de suas pérolas: A vida pode quase tudo, o vivente é que complica.
Aliás, sobre Albir, não sabia que pertencia à Nação. Então, seu Albir, seu coração palpita por um galinho de Quintino, é? Tudo bem, carioca, morando no Rio, mas poderia ser vascaíno como a Fernandinha Abreu, ou um tricolor como o Chico e o Bial. Mas lendo seu comentário em Palmeiras, Flamengo e Cerejas, eu percebi o sotaque humilde: Sobre o Flamengo, você não está sozinho. O sonho de todos os torcedores de todos os times é ganhar do Flamengo. Eventualmente isso acontece. Há mais rubro-negros nos comentários, desconfio que um seja Rocha.
Em Um gesto, duas cidades, a cena é triste, e, talvez, não combine muito com uma crônica. Por outro lado, talvez combine sim, pois também há espaço neste gênero para a melancolia, a tristeza, sentimentos que permeiam a vida. Pollyana Gama disse: Cá estou pensando e desejando que a conversa tenha terminado logo para que o pão e o café chegassem ao homem que buscava por comida...”. Téo: Realmente, a cidade infelizmente é a mesma! Teresa Bendini: Belo! Poucas palavras que dizem tudo. João Bosco: Muitas vezes, não são nem duas cidades e sim dois mundos diferentes. Edna Kamezawa: Há lindos gestos todos os dias que sequer ficamos sabendo. É o trabalho de muitos anjos pelas cidades. Jander: Você tira umas fotografias do cotidiano muito boas, Sergio. Nem sempre bonitas, mas sempre muito boas. Allyne: Sempre delicado e atento aos detalhes da cidade, Sergio... Albir: Doloroso, mas seu texto torna palatável. E obriga a pensar. Zoraya: O poeta das pequeninas coisas também tira retratos doloridos.
A crônica, longe de ser ficção, é uma realidade dura das cidades. A cena ocorreu na Praça Santa Terezinha, em Taubaté, e ocorre todos os dias em milhares de praças e ruas dos pequenos e grandes mundos brasileiros. Ela permite muitas reflexões. São anjos mesmos. No entanto, sei não se dão conta. A reflexão que faço e que me instigou à escrita do texto, é a mesma que cito no TikTok, após falar sobre A última crônica, de Fernando Sabino. A desigualdade de um país está aí na nossa cara, todos os dias. Até quando viveremos numa nação que nega o mínimo a tanta gente?
Ilustração: ChatGPT



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