BANHEIRO >> JANDER MINESSO
Entrei esbaforido no banheiro do shopping e quase trombei com um garçom do Frutaria. Pedi desculpas, mas ele mal me notou. Só bocejava e rolava a tela do celular. Como o filme tinha sido longo e eu estava apertado, deixei para lá e fui fazer meu xixi.
Mal entrei no reservado e um trap abafado começou a tocar. Era o Bad Bunny perguntando se era isso que eu queria. Fiz o que tinha que fazer e, quando voltei, o rapaz dublava o som magro do telefone e espremia espinhas do rosto. Foram três enquanto eu lavava minhas mãos, e a última chegou a espirrar no espelho: uma pequena pelota espatifada de tons amarelos e rosados.
Como não tinha papel do meu lado, precisei atrapalhá-lo para secar as mãos. Fiz tudo com a máxima discrição, temendo interromper aquele santuário. Mal tive tempo de alcançar a toalha quando um alarme estridente rasgou o flow latino ao meio. O menino pegou o celular de cima da pia e esmurrou o botão de desligar. Suspirou, encarou o espelho e depois olhou para mim.
— É foda, tio.
Disse isso, ajeitou o uniforme e saiu correndo. Ainda deu tempo de o Bad Bunny dizer que minha opinião tinha zero importância.
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Imagem: Marcus Spiske por Pixabay.

Bad Bunny entrou aqui, dei moral!
ResponderExcluirSituações cotidianas e o olhar de quem registra! 👏🏼
Foda é ser chamado de tio…
ResponderExcluirJander, é sempre um prazer ler suas crõnicas. Infelizmente meu cérebro bugou na espinha explodindo no espelho. E ainda com sonoplastia onomatopaica. Só te perdoo pq, como nao vou conseguir jantar, por conta do enjoo provocado por tão grotesca descrição, acabou q vc contribuiu com minha dieta. E pq, na minha ignorância, agora sei quem é Bad Bunny e estou escutando. Só de vc gostar já é recomendação suficiente.
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