NÃO MEIAS PARTIDAS >> Fred Fogaça


Deixo a mesa arrumada como não fosse a ultima vez - e eu mesmo teria acreditado em benefício a um conforto - caminhado de costas sem denotar sentido, quase sem perceber até se dar por estar lá e já - e ai e só refletir se um choque ou não é palpável - mas foi tudo traumático: triste demais pra deixar pra trás assim numa acenada curta, tão danoso pra não sofrer a partida. Olhar atrás e assumir uma sem solução de situações - que vão ficar em suspensão até voltar, se acontecer. Cansado de receitas de dar certo, de caminho fácil sem custo, de escolha certa sem um único titubeio - se deixo, o faço com a culpa completa e desisto em completude de covardia, porque quero a tranquilidade de uma única certeza: a de ter deixar tudo.


 

Comentários

  1. que bonito, Fred. Logo nas primeiras linhas me lembrou a linda música do Herbert Viana, 'partir, andar'. E que triste...

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  2. O caminho mais fácil nem sempre é o melhor. Bela imagem do Dall-E.

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