EU, CARECA? >> Sergio Geia
Outro dia, andando pela rua, um amigo me chamou de careca.
— Eu, careca? — respondi.
Ele riu. Depois emendou:
— Como não?
Existe um instante, muito específico, em que o homem percebe que precisa defender coisas absolutamente inúteis. A espuma do chope. A marca do café. Endrick titular na Copa. A quantidade de cabelo ainda existente sobre a própria cabeça.
— Há uma diferença enorme entre ser careca e raspar o cabelo.
Ele não concordou.
— Não há diferença nenhuma, Geia. Ambos são carecas.
Aquilo me atingiu mais do que deveria. Então expliquei, num tom quase acadêmico:
— Quando você diz que alguém é careca, parece definitivo. Irreversível. Um ponto final capilar. Quem raspa a cabeça está fazendo uma escolha estética, um ponto e vírgula, o cabelo volta.
Ele me olhou com uma cara engraçada.
Percebi que precisava ajustar a tese. Fazer uma pequena revisão científica dos fatos.
— Quer dizer... volta.
Pausa.
— Ainda que só dos lados.
Ele explodiu numa gargalhada.
Eu também.
Desde então, passei a evitar duas coisas: espelhos muito iluminados e amigos sinceros.
Ilustração: ChatGPT



Blz Serginho! Que isso? Careca?
ResponderExcluiruai! mas se é dos carecas que elas gostam mais!
ResponderExcluirZorayaaaa...você consegue fazer a gente feliz né? Maravilhosa!! Tudo bem, sou muito suspeito para elogiar e meu comentário não é imparcial!
ResponderExcluirSérgio, estou rindo até agora. Muito bom querido. Mas vou te falar, ficar careca é um tipo de libertação. É lindo ter cabelos mas dá um trabalho extremo! Quem é careca ou cabeludo vai concordar comigo!
ResponderExcluirObrigado, gente. Ionio, crônica e brincadeiras à parte, penso exatamente como você.
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