DE VOLTA! >> Sílvia Tibo
Engraçado como certos acontecimentos tem o poder de nos afastar da realidade por algum tempo. E interessantes também são os efeitos que essas escapulidas do mundo real são capazes de provocar em nós.
É como se, por alguns instantes (que podem até durar dias, meses ou anos), nossos espíritos se desligassem dos corpinhos que os tornam visíveis e palpáveis. E assim, livres, leves e soltos, transitassem por um universo íntimo, perfeito e particular, criado por eles próprios, na tentativa de fugir da realidade que os machuca ou, simplesmente, no desejo de experimentar momentos de felicidade pura e plena.
Quando minha mãe partiu, há alguns poucos anos, essas sensações me acompanharam por um bom tempo. Nas semanas seguintes à partida dela, lembro-me de ter ouvido alguns amigos e parentes dizerem-se impressionados com a suposta força com que eu vinha enfrentando aquela perda tão grande e recente.
Depois de ouvi-los, eu lhes dirigia sempre um sorriso, ganhava deles um abraço... E me despedia repetindo (na tentativa de confortá-los, mas também a mim mesma) aquela história de que a cruz que nos é dada nunca é maior ou mais pesada do que aquela que podemos suportar.
É claro que, com o passar dos meses, as famigeradas fichinhas caíram. Aliás, despencaram. Assim, todas juntas, de uma só vez. E despencaram aqui, no meu colo, na minha cabeça, no meu coração. Era o fim das “férias da alma”.
Desde então, não houve um só dia em que eu não tenha desejado novos instantes de “folga espiritual”. Folga da saudade. Folga do vazio. Folga da tristeza que vem da constatação de que o reencontro não está assim tão próximo como se imaginava. Folga da dor que necessariamente acompanha a partida de quem se ama. Retorno àquele universo encantado. Àquele mundinho onde os problemas se dissipam, as dores se escondem, a saudade se esvai. Porque lá, os buracos se preenchem facilmente. Com sorrisos, com presença, com reencontros, o que quase nunca acontece no mundo real.
Desde então, não houve um só dia em que eu não tenha desejado novos instantes de “folga espiritual”. Folga da saudade. Folga do vazio. Folga da tristeza que vem da constatação de que o reencontro não está assim tão próximo como se imaginava. Folga da dor que necessariamente acompanha a partida de quem se ama. Retorno àquele universo encantado. Àquele mundinho onde os problemas se dissipam, as dores se escondem, a saudade se esvai. Porque lá, os buracos se preenchem facilmente. Com sorrisos, com presença, com reencontros, o que quase nunca acontece no mundo real.
É. O casamento me levou, sim, a momentos de alegria desmedida, de satisfação plena, de felicidade no sentido mais puro e desejado da palavra. A sensação foi de ter trilhado, de novo, por algumas horas, os belos caminhos percorridos noutros tempos. Aqueles em que a saudade, tímida, pouco ou quase nunca se mostrava, porque sequer havia espaço pra ela. Afinal, eram percursos realizados num mundo de presença, de amor, de contato. Um mundo sem buracos, sem vírgulas, sem espaços em branco.
De volta à vida real, agradeço a todos os que, com suas boas energias, sua generosidade e seu envolvimento, tornaram possível a reconstrução desse mundinho de sorrisos, de flores, de sons e de cores, que andava distante, por vezes esquecido, mas que ressurgiu com a beleza de outros tempos. E que, a partir de agora, pretendo visitar com frequência. Através dos vídeos, das fotografias, dos detalhes contados pelos que estiveram ali presentes, em sintonia. E das muitas e doces
lembranças que a mente e o coração, felizmente, foram capazes de registrar.


Silvia, li e reli seu texto. Um nó na garganta, um arrepio e ao mesmo tempo uma alegria imensa. Por , de uma forma mínima, trazer de volta este aconchego em seu coração.
ResponderExcluirSeja muito feliz, menina. Você é linda. Totalmente linda. Bj . Odette
Querida Odette,
ResponderExcluirLi, reli e me emocionei com seu lindo comentário...
Obrigada por tornar possível essa minha "viagem", com toda a sua delicadeza e sensibilidade...
Grande beijo!
Parabéns, pequenina!
ResponderExcluirEstava com saudades das suas linhas!
Seja muito feliz e conte tudo pra gente!kk
Nossas felicidades formam círculos secantes.
Beijos,
Léo
O texto é lindo. Recordei no ato de um raciocínio budista. Ele fala da transitoriedade das coisas boas e das coisas ruins na nossa existência. Concentrar-se no caráter transitório do sofrimento nos torna mais resistentes nos momentos ruins e mais responsáveis e atenciosos nos momentos bons. Pense nisto Silvia. Meus parabéns pelo texto!
ResponderExcluirSílvia, que coisa mais linda. Parabéns pelo casamento e pela lucidez com a qual você consegue enxergar os momentos de dificuldade e os de alegria.
ResponderExcluirBeijos!
Irmão...
ResponderExcluirSem dúvida. Sua felicidade é a minha. E sei que a recíproca é verdadeira...
Obrigada por você existir!
:)
André,
ResponderExcluirConcordo plenamente...
Nem sempre é fácil colocar em prática esse raciocínio, mas seguimos tentando, não é?
An.
Abraço!
Fê,
ResponderExcluirObrigada por suas sempre belas palavras...
Beijinhos.
ah Silvia me identifiquei com você. Tem um ano que minha mãe partiu e sei o que é tudo isso. As pessoas sempre dizem como fui forte, mas é como você descreveu, elas não sabem o que a gente sente. Me solidarizo com você. Belo texto, parabéns! E que o casamento sendo o início de dias cada vez mais felizes.
ResponderExcluirQuerida Sil,
ResponderExcluirque bom ver o quando está feliz e saiba que torço para que tantas alegrias trazidas nesta data especial só se somem, se multipliquem, pois você merece lindinha!!!
Beijos!
Ká
Amei ler seu texto, Sílvia! Sim, os momentos de saudade e tristeza, passam. Bjss
ResponderExcluirFilhinha,
ResponderExcluirque lindo e sublime sua crônica! Fiquei leve e emocionado. Conte sempre comigo, em todos os momentos, sejam aqueles de felicidade, sejam aqueles mais difíceis. Todos eles compõem a nossa jornada. Bjin
Pai