O FIM JÁ FOI UM COMEÇO >> Ana Raja


Há tempo para diferentes emoções. Às vezes, a autoconfiança é tanta, que nos reconhecemos exímios conhecedores de sentimentos.

Acontece de estarmos enganados. Então, vem a explosão do simples, oferecendo experiências carregadas de significados. O assombro nos coloca em suspenso, exige nos tornarmos atentos a nós mesmos.

Um vento fresco tira o peso de um momento que, ao marcar o fim de algo, nos prepara para o desfecho. Daí nos toma uma vontade boa de chorar, de bailar, de nos trancarmos no quarto e ficarmos olhando para o teto, na companhia do esquecimento. Impossível é esquecer o caminho. Ele não foi ruim. Alguém disse “está pronto não tem mais o que fazer”, permitindo a finalização do processo, sentindo orgulho do que foi “criado”. Com delicadeza, joga palavras de esperança no ar.

O “criado” fica martelando na cabeça, e, enlouquecidos, saímos à procura de sinônimos: gerado, concebido, formado, originado, parido.

Um riso contido surge junto com duas lágrimas. A voz embargada deixa escapar o som de um suspiro de alívio. Mais calmos, conseguimos visitar o começo de tudo. 

Quantos e tantos nos acompanharam até esse fim? Agora, o riso é largo, a roupa para a próxima ocasião está pronta.

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Este texto faz parte do Crônica de um ontem e foi publicado originalmente em 7 de janeiro de 2024.

Imagem © Эльвина Якубова por Pixabay

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