RITA >> Ana Raja


desfaço a trança
os fios longos
dos cabelos em claustro

afivelo a mala
arrasto para o pátio
iluminado de imagens futuras

do hálito embriagante
em cacos não mais pisarei

dos choros, das fraldas alvas
lampejos errados de mim

santa, santa, santa [não sou]

velas apagadas
promessas não cumpridas

renuncio o lugar
honrado de mulher de deus

mulher de mim
de todos
de ninguém

mãe, sequei

santa, santa, santa

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As dores delas, primeiro livro de Ana Raja, está a venda no www.editoraurutau.com.

anaraja.com.br

Comentários

  1. Não sei nem dizer o qto gostei desse poema. Adorei os "cabelos em claustro", amei o enfrentamento para a liberdade. Ressoou muito comigo. Uma leitura muito bacana para o dia das mães.

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  2. Que coisa linda! Sdds de ler um poema seu! Perfeito!

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  3. Tô com a Nadja: esse simbolismo de soltar os cabelos foi lindo, lindo. Na real, bonito é o poema todo, carregado de uma mistura de receio e coragem de quem sofreu demais.

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  4. Amigaa, que lindeza! Uma imagem mais tocante que a outra. Quantas mulheres em claustro dentro de cada mulher…

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  5. afivelo a mala
    arrasto para o pátio
    iluminado de imagens futuras

    Que imagem! um poema tão conciso e tao cheio de luz, de esperança, de coragem. Amei

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  6. Mais Marias em busca de luz!
    Lindo!

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