PRESSA >> JANDER MINESSO
Estava subindo a Carlos Sampaio, sentido Paulista, quando um motociclista passou voando na direção contrária. Na garupa, levava três galões d‘água de vinte litros, daqueles azuis. O visor do capacete estava aberto. Ele cruzou comigo feito uma flecha, atravessou o semáforo da Treze de Maio no vermelho e foi pouco educado com o motorista do ônibus que buzinou em protesto à transgressão.
Meio quarteirão adiante, uma senhorinha de cabelos bem penteados descansava à mesa de uma pastelaria. Ela segurava uma guia de cachorro com fivelas douradas. Na outra ponta, um imperturbável bichon frisé. A dupla observava, piscando numa sincronia preguiçosa enquanto o funcionário da pastelaria terminava de levantar a porta corrediça. Assim que ele finalizou o serviço, a senhora falou:
– Um de queijo, por favor.
– A gente ainda nem ligou o tacho, dona.
– Tudo bem. Não tô com pressa.
Eu estava, então segui meu rumo.
Para ler outros textos do autor, clique aqui.
Imagem: arquivo pessoal


Cá entre nós, Jander, vc não sente um pouquinho de inveja de quem pode se dar ao luxo de diminuir o ritmo e até esperar? Essa velhinha aí tá ostentando...
ResponderExcluirGostei do contraste! E as descrições foram excelentes, me levaram pra dentro da cena!
ResponderExcluirJander cronista de mão cheia! E, como Alfonsina, tb me vi em toda a cena (queria o pastel!). Será q na nossa velhice poderemos ter esse luxo de esperar o pastel? (se bem q, pastel às 9 da manha....)
ResponderExcluirMe identifiquei com o homem da pastelaria e invejei profundamente a senhora e o cão.
ResponderExcluirTenho sido motociclista com mais frequência do que gostaria. Mas meu sonho é esperar tranquilamente pelo pastel.
ResponderExcluir