A INFÂNCIA EM UM GIRO >> Whisner Fraga
um filete de melancolia sangra a tarde,
a menina não sabe o dia,
segunda, quarta, domingo, está tudo igual,
por que você tem discos?,
se todas as músicas já estão no celular?,
chamo a menina à sala,
e ela estranha os abismos de antigas bruxarias,
o vinil sucumbe às bicadas da agulha,
um mundo gira em sulcos e chiados,
a menina está hipnotizada com o círculo em movimento:
é a sua infância aí, né?,
a menina não sabe o dia, mas precisa de sol,
e de gritos e de corridas,
hoje é quinta, menina,
é um dia grande,
ela concorda. e se cala.
a menina não sabe o dia,
segunda, quarta, domingo, está tudo igual,
por que você tem discos?,
se todas as músicas já estão no celular?,
chamo a menina à sala,
e ela estranha os abismos de antigas bruxarias,
o vinil sucumbe às bicadas da agulha,
um mundo gira em sulcos e chiados,
a menina está hipnotizada com o círculo em movimento:
é a sua infância aí, né?,
a menina não sabe o dia, mas precisa de sol,
e de gritos e de corridas,
hoje é quinta, menina,
é um dia grande,
ela concorda. e se cala.


Whisner, nem sei mais o que dizer pra expressar o quanto admiro e gosto dessas suas crônicas. "Um filete de melancolia sangra a tarde"... sério? é covardia já começar com uma frase matadora dessas. (nem falo mais de seus títulos...)
ResponderExcluirWhisner, Já disse que sua narrativa me comove, essa crônica ficou linda! Forte e dócil ao mesmo tempo.
ResponderExcluirVocê escreve o inefável. Difícil comentar... sou suas meninas,,, deusdocéu!
ResponderExcluirA cada vez que você traz a sua menina, para a roda da sua literatura, é de encantar, doer e nos fazer refletir sobre nossos próprios lugares, onde guardamos o que já foi e continuará sendo, até o fim de nós. Lindo que só, Whisner.
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