PIANO >> Whisner Fraga
a menina se cala na beirada.
escora os dedos num rumor de cuidados.
depois um acorde se entranha nas sombras.
a menina acompanha as mãos e se assusta com os movimentos ressoando a música.
a menina para, vasculha as teclas.
uma formiga pisoteia o infinito e não encontra o ninho.
a menina percebe.
a menina reconhece o incalculável e prova um mal-estar.
contempla uma serenidade quase comovente.
a janela é um infinito em um quadro.
o que busca?
a menina apaga a luz e se deita.
escora os dedos num rumor de cuidados.
depois um acorde se entranha nas sombras.
a menina acompanha as mãos e se assusta com os movimentos ressoando a música.
a menina para, vasculha as teclas.
uma formiga pisoteia o infinito e não encontra o ninho.
a menina percebe.
a menina reconhece o incalculável e prova um mal-estar.
contempla uma serenidade quase comovente.
a janela é um infinito em um quadro.
o que busca?
a menina apaga a luz e se deita.


Lirismo e profundidade. Uma doçura essa menina. E ao mesmo tempo forte. Parabéns!
ResponderExcluirUm texto tão delicado e ao mesmo tempo contundente. Que lindeza, Whisner... Que lindeza...
ResponderExcluirWhisner, estou ficando sem palavras para, mais que elogiar a beleza extrema e a excelência desses seus textos em volta da 'menina', expressar a ternura e o espanto inefável que eles me causam. Só me resta agradecer.
ResponderExcluirQue os dedinhos da menina continuem nos apontando coisas que sem isso não veríamos!
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