PEPETA PEPETA >> Eduardo Loureiro Jr.
Estou desaprendendo a escrever. E não tem nada a ver com falta de inspiração. Continuo respirando bem — inspirando e expirando, inspirando e expirando — sem a ajuda de aparelhos.
O aprendizado da escrita foi um aprendizado de comunicação: uma desfeita para com a minha timidez. Mas agora as coisas que faço fazendo sentido para os outros não são feitas fazendo sentido para mim.
Hoje eu prefiro as palavras assim:
tanta coisa pra dizer e só me vem
pepeta pepeta
tanta coisa pra dizer e só me vem
pepeta pepeta
o que eu tenho pra dizer é o céu
és o céu na terra e a terra é o céu
pra quem gosta de aventura
a vida dura é feito mel
tanto fala até que muda
a vida à moda do céu
é preciso ser criança pra dizer
pepeta pepeta
cada um pode sentir que quer dizer
pepeta pepeta
Não, não se trata da linguagem incompreensível dos excessivamente intelectualizados. É um desaprender da escrita que já é quase desaprender da fala. Música tendendo ao murmúrio. Dizer coisa sem coisa.
Qualquer temporada dessas, desaprendo o próprio som. E ressoarei somente o solfejo do silêncio.
O aprendizado da escrita foi um aprendizado de comunicação: uma desfeita para com a minha timidez. Mas agora as coisas que faço fazendo sentido para os outros não são feitas fazendo sentido para mim.
Hoje eu prefiro as palavras assim:
tanta coisa pra dizer e só me vem
pepeta pepeta
tanta coisa pra dizer e só me vem
pepeta pepeta
o que eu tenho pra dizer é o céu
és o céu na terra e a terra é o céu
pra quem gosta de aventura
a vida dura é feito mel
tanto fala até que muda
a vida à moda do céu
é preciso ser criança pra dizer
pepeta pepeta
cada um pode sentir que quer dizer
pepeta pepeta
Não, não se trata da linguagem incompreensível dos excessivamente intelectualizados. É um desaprender da escrita que já é quase desaprender da fala. Música tendendo ao murmúrio. Dizer coisa sem coisa.
Qualquer temporada dessas, desaprendo o próprio som. E ressoarei somente o solfejo do silêncio.


Eduardo, eu sempre acrditei que nossa existência vive em constante dinâmica. Então, às vezes, é necessário desaprender para reaprender ou aprender de uma outra forma. É preciso morrer para renascer.Se um dia, você tiver que desaprender o som, com certeza será para que seu silêncio diga mais que muitas palavras. :)
ResponderExcluirEsqueci de dizer que adorei os versos de "Pepeta, pepeta". Será que o esquecimento é sinal que as palavras estão partindo de mim? :)
ResponderExcluirBjs
Que lindo, Eduardo. Acho que preciso desaprender a escrever como você. Mas antes ainda preciso aprender...
ResponderExcluirEdu, a gente nunca desaprende. Pelo contrário, a gente aprende de outra forma, outra maneira.
ResponderExcluirParabéns pelo texto. Quando eu chegar a esse estado seu de desaprender, ficarei feliz! rsrs
Edu,
ResponderExcluireu também prefiro as palavras assim. Seja assim como for.
Gente querida, espero que nunca ocorra a vocês a vontade de desaprender a gentileza que vocês têm comigo. :)
ResponderExcluirDesaprender é uma coisa tão interessante, porque depois lidamos com o aprendido e depois desaprendido com muito mais delicadeza...
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