ESCURECE SOB CINZAS >> Whisner Fraga
como prever um susto a oitocentos por hora?
os aviões esfolam um céu tumultuado de fuligens.
as cinzas aterrissam na varanda dessa cidade inquieta.
as gatas acossam libélulas incendiadas.
a menina recua diante da noite em um meio-dia consumado.
o rio também está morto há décadas, menina.
tudo está morto, falta decretarem.
alguém derrama uma água suja na jabuticabeira. a terra humosa.
pai, como é o nome do cantor que você encontrou no bar? nick.
a oitocentos por hora não há imprevistos.
o avião se afoga na poluição cinza e vermelha. e some.
uma tempestade de vaga-lumes queimados possui a varanda.
tudo está morto.
os aviões esfolam um céu tumultuado de fuligens.
as cinzas aterrissam na varanda dessa cidade inquieta.
as gatas acossam libélulas incendiadas.
a menina recua diante da noite em um meio-dia consumado.
o rio também está morto há décadas, menina.
tudo está morto, falta decretarem.
alguém derrama uma água suja na jabuticabeira. a terra humosa.
pai, como é o nome do cantor que você encontrou no bar? nick.
a oitocentos por hora não há imprevistos.
o avião se afoga na poluição cinza e vermelha. e some.
uma tempestade de vaga-lumes queimados possui a varanda.
tudo está morto.


Meio ambiente. Tudo vira cinza. Morremos e o mundo pede socorro. Só um texto me salva. Vi cenas em palavras. Parabéns, Whisner.
ResponderExcluirMuito bom.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMaravilhoso e terrível, Whisner! Como vc conseguiu?? Esse final dos vagalumes me arrepiou. Imagem fortíssima, triste e bela. Nas mãos de um escritor de verdade, até a morte é poética.
ResponderExcluirA distopia chegou mais cedo.
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