olhos azuis >>> branco
poemas em 6 atos*
ato I
às vezes
sentado na poltrona da varanda
com meus amigos inseparáveis
- a cerveja
os cds
e o cigarro -
ouço vozes que me chamam
são vozes que se misturam
voz com olhos azuis
a voz do raro sorriso
ainda outras - amigas -
também me chama
a voz do assassinado
concentro-me no que dizem
percebo que não existem imprecações nelas
apenas inúteis lamentos
ouço-as
enquanto olho para a parede
que está em minha frente
uma breve e agradável interrupção
me afasta do meu mundo
dois seres vivos - a quem também chamo de amigos -
chegam
trazendo vinho e mais cervejas
ajeitam-se em outras poltronas
em frente à parede
conversamos muito - rimos muito -
com as coisas mais rotineiras
mas a noite começa a cair lentamente
e o silêncio aumenta
agora apenas bebemos
ilustração de Ana Betsa
publicado originalmente no livro 7
*seis poemas independentes nos quais personagens e situações se entrelaçam formando o quadro de um desastre



Belo poema meu amigo.
ResponderExcluirBelo poema e uso das palavras. Encantada.
ResponderExcluirLindíssimo...
ResponderExcluirE quantas palavras foram ditas neste silêncio. Um poema para viajar interiormente. Belo!
ResponderExcluirEstou me deliciando com cada palavra. Viajando e me colocando no lugar do autor. É um Balsamo
ResponderExcluir.
Belo poema ! Branco. Abs.
ResponderExcluirPersonagens se apresentam, cenário, peculiaridades...curioso pra saber o rumo da poesia...
ResponderExcluirRetrata em síntese os questionamentos da Vida, em todos seus aspectos... Uma viagem... Maravilhoso! Forte abraço!
ResponderExcluirMuito bom. Faz pensar...
ResponderExcluirMaravilha! E instiga apreciar o próximo ato...
ResponderExcluirOlhos azuis,riso raro,amigos... tudo me é familiar. Amei
ResponderExcluirE aí está o poeta, com palavras grávidas de emoções a serem reveladas!
ResponderExcluirPressinto uma tragédia regada a vinho e amargura, segredos inconfessáveis e terríveis.
ResponderExcluirQue beleza de estilo! Que coisa mais incomum! E amei a escolha das palavras, o encadeamento, o modo como vc interrompeu o devaneio do narrador e depois, sutilmente, voltou, apenas dizendo 'o silêncio aumenta
agora apenas bebemos".
Branco, no minimo, intrigante. No mínimo, instigante.
É no silêncio que as coisas mais importantes são ditas. Admiro o seu silêncio, cada vez mais fã do seu modo de escrever.
ResponderExcluirE nossos olhos e ouvidos se voltam pra sua varanda.
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