CRIADOR E CRIATURA >> Carla Dias e Eduardo Loureiro Jr.
— Você não pertence a esse lugar...
— Foi você quem me convidou.
— Mas você não percebeu? Não se sentiu deslocado?
— Quem manda aqui é você.
— Engraçado... Sempre achei que fosse o contrário...
— Eu mando aí, no seu mundo.
— Tá bom, tá bom... Vá um pouco mais pra frente.
— Não do lado daquela ali!
— Mas não sou eu quem manda?
— Você poderia mandar ela sair de lá.
— O que o assusta nela?
— Prefiro você.
— Apesar de não poder tocá-lo, apenas mudá-lo de lugar?
— Você podia entrar aqui.
— Desajeitada do jeito que sou, te derrubaria lá embaixo... E lá é meio perigoso, sabe?
— Aqui não há como se machucar.
— Há sim... Se eu entrar e gostar, desejar ficar...
— Lembra daquela história?
— A que eu não soube contar?
— O que lhe deu?
— Faltou o ar... Engasguei... Achei que fosse morrer.
— Morra, na próxima vez.
— Curioso é que pensei em morrer agora. Devo?
— É só vir até aqui.
— Você não é diferente do que imaginei...
— Ela não gostou de você estar aqui.
— Não consigo convencê-la a partir e viver em paz longe daqui.
— O que ela faria se eu lhe beijasse?
— Se sentiria como quem perde o chão... o gosto.
— Você não manda mais aqui.
— Não... Eu já pertenço a este lugar.
— Seu beijo...
— É seu...
— Ela sumiu.
— Sentiu-se fora do contexto.
— Você está diferente.
— Acho que me perdi dos parêntesis... É liberdade?
— Preciso ver à distância para avaliar.
— Que distância seria essa a nos separar?
— Vou ver você do seu mundo.
— Sinto medo por isso... Se gostar de lá...
— Parece bom aqui.
— Me vê?
— Você parece pequena.
— E onde ela está? Daí ela é tão...?
— Sinto saudades dela.
— Ela está me rondando...
— Ela está apenas vindo para cá.
— Vocês vão me abandonar aqui, não vão?
— Você mereceu isso.
— Achei que quisesse meu beijo...
— Ele já tem os meus beijos, queridinha.
— Ele tem minha vida nas mãos...
— Sinto muito, eu preciso lavar as mãos agora.


Come again? Acho que perdi a metáfora.
ResponderExcluircArLa, e eu ainda falei pra Carla Dias que a gente deveria pensar num título não tão explícito. Aí é que a metáfora ia ficar perdida mesmo. :) Será que isso serve como uma pista para você adivinhar a metáfora? :)
ResponderExcluirCarla, Eduardo, mais uma vez o Crônica traz esse espetáculo criado a quatro mãos.:)
ResponderExcluirVerdade...O título facilita muito a interpretação da leitura. Eu me perdi, algumas vezes no diálogo, acabei numerando para facilitar.:) O texto é digno de maltratar qualquer estudante em uma prova bem elaborada. Amei! Vocês são os criadores que fazem a palavra cumprir o papel a que foi destinada. *emocionada aqui*
Marisa, estou começando a ficar preocupado... quer dizer que não apenas a metáfora está difícil de ser descoberta mas também não está claro quem fala o quê e você teve que numerar as falas? Meu Deus, Carla (Dias), temos que mudar o nome da crônica para Frankenstein. Parece que criamos um monstro. :)
ResponderExcluirVerdade, pessoas... O Eduardo falou sobre o título, mas eu adoro um labirinto, então, bati o pé. Mas apesar de tudo, adorei nosso Frankenstein, Eduardo! Que monstrinho gracioso :)
ResponderExcluiro soldadinho de chumbo e a boneca de porcelana paquerando em cima da estante no meu quarto!!!
ResponderExcluirOi, Anônimo, bela materialização do abstrato diálogo. Adorei! :)
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