HOJE NÃO TÔ PRA PROSA >> Carla Dias >>

Tô bêbada de sonho
Embevecida por milagres
Eu corro em círculos
Pulo degraus
Meus afetos já não cabem
Na voz comprometida pelo zelo
E o estômago embrulhado
De ansiedade
O tempo sentado à minha porta
Papeando com a saudade
Varais seguram camisas
Pelas mãos
Anéis-pregadores verdes
E eles dançam tão a sós
O vento sopra a cara da tarde
Perfumes brotam do abraço
Cultivado em delírios
Abraço que se dá sem tocar o outro
E eu bêbada de sonho
Pés mergulhados nessa jornada
Voz embargada num canto mudo
E eu me mudo de universo
Só pra brincar de vida diferente
Carrego no olhar as paisagens
Eternas
Enternecedoras
Vibrantes
Paisagem da janela da canção
E também girassóis
Nos cabelos
Se me olham de fora
Acabam enxergando essa doida-varrida
Na qual me transformo
Pra refrescar a memória
É bom lembrar que podemos
Ser tantos
Dependurar-nos em arco-íris
Pra colher cores
Pra pincelar a realidade
Hoje não tô pra prosa
A cara enfiada na poesia
Imagem: Jander Minesso


E eu que pensei que não gostava de surpresas... :) Gostei do seu não estar pra prosa: cara enfiada na poesia.
ResponderExcluirEduardo... Que bom que pra você foi uma surpresa boa. Não sei... Comecei a escrever uma crônica, algo tão real. E me deu vontade de dar a mão à poesia. Dei.
ResponderExcluiroi carla! que pincelada boa na realidade ,só pra brincar de vida diferente .lindo!!
ResponderExcluirEu ia deixar um recado e quando abri esta janelinha, Edú já havia escrito o que eu tinha pensado...
ResponderExcluirSinal de que, contrariando a regra geral, quando você não está para prosa, a gente é que sai lucrando. Eu sempre vejo muita poesia na sua prosa, mas quando você está só para poesia, minha amiga, sai de baixo!!
beijo grande!
Vixe, Carla! Já falaram tudo! Na verdade quando você não tá pra prosa, tá pra poesia, quando não tá pra poesia, tá pra conto, quando não tá pra conto, tá pro silêncio. E quando tá pro silêncio, só os deuses devem saber o tanto de história que deve existir guardada pronta para se interpretar. :)
ResponderExcluirMarcela: certas brincadeiras nos agarram pelas mãos e nos arrastam, não?
ResponderExcluirClaudia: tenho grande afeto pela poesia, por isso fico feliz quando dizem que a encontram na minha prosa. Não sou boa de prosa, mas se posso juntá-la à poesia, bom, escrever se torna uma jornada de descobertas e sensações.
Marisa: Havia dias em que minha avó dizia “sai pra lá que hoje não tô pra prosa”. E eu me lembro de observá-la detidamente nesses dias. Havia tanto de bonito naquela braveza, porque na verdade, a impressão que eu tinha era que ao dizer isso, minha avó queria apenas um tempo para ficar consigo mesma; para descansar a alma da função de mulher esposa, mãe e avó, e ser apenas a pessoa a contemplar a vida.
Acho que foi isso: parei para contemplar.
Carla,
ResponderExcluircontemple.
Pare de contemplar, escreva.
Pare de escrever, contemple.
Contemple a escrita.
Escreva a contemplação.
Escreva...
Albir...
ResponderExcluirContemplarei... Escreverei...
Na verdade, é só que sei fazer da vida!
Obrigada pela visita : )