AMOR POR ESCRITO >> Eduardo Loureiro Jr.
As analfabetas que me perdoem, mas a escrita é fundamental. As que escrevem mal que me relevem, mas a grafia correta é imprescindível. As que escrevem só o necessário que me dêem um desconto, mas a desnecessária inspiração é indispensável.O amor me chegou por escrito, como sempre me chegou: em bilhetes, cartões, cartas, e-mails, mensagens de celular.
O amor por escrito é o amor paciente de que fala O Livro: não exige o momento nem se esgota nele; está ali desde sempre até que se queira conhecê-lo e, uma vez conhecido, estará sempre ali para ser relido como se fosse a primeira vez.
As bonitas que me desculpem, o amor por escrito só vê o invisível essencial. As malhadas que me escusem, o amor por escrito é lânguido, frouxo. As maquiadas que me tolerem, o amor por escrito é sem máscaras.
O amor por escrito fala de si sem dizer o próprio nome: tem uma intimidade anterior aos batismos. O amor por escrito pede silêncio e inspira música.
O amor por escrito é prosa prosaica de mar que se afoga em si mesmo; e, de repente, é peixe dourado que salta da água com seus versos e ágeis barbatanas. O amor por escrito, quando reto, é reticência; quando curvo, é saliência, enxerido assanhamento. O amor por escrito é um só texto composto por dois autores.
Verbo que se faz letra, o amor por escrito é pó & cia. e à poesia voltará.
Quando eu li, amei. Quem me ler, amará?


Para no reticente seguir escrito... mergulhar entre versos o verbo da vida... florescrescer...
ResponderExcluirHavia aquietado o meu desejo, até ler sua crônica. O desejo de que, dia desses, o amor por escrito faça parte da lista de importâncias de muito mais pessoas. Que elas não se assustem com a intensidade ao serem presenteadas com ele. E que se permitam embrenhar na sua poesia, percebendo que também ele pode ser condutor de acontecimentos. Desejo de que o amor por escrito ganhe a realidade do sentimento.
ResponderExcluirOs amores por escrito me fascinam.
Obrigada por me lembrar disso.
Li. Amei.
Eduardo, às vezes vossa senhoria me deixa um tanto encasquetado (desculpe o vocabulário chulo) e pensando "cronica do dia", "poesia do dia", "poesia de uma cronica diária". talvez isso. Quem saberá dizer. Me diga você.
ResponderExcluirEncasquetado, Léo! :)
ResponderExcluirO penúltimo parágrafo já deveria ter-lhe dito.
Acrescento: crônica vem de Cronos, do Tempo: "Por isso é que eu não tenho forma." Você conhece, por exemplo, a crônica do Vinícius que depois seria transformada (levada para além da forma) no poema "Operário em construção"?
A crônica é a liberdade na literatura. A moça livre. Dá conforme lhe dão. Às vezes minha senhoria dá poesia pra você porque é poesia que minha senhoria recebe. :)
Adoro encasquetamentos. :)
Amor por escrito é linda! Mas quer saber o que é mais lindo? O manuscrito desse texto deixado como presente ilustrando essa crônica.
ResponderExcluirTem coisa mais linda que o amor escrito num manuscrito?
Beijo admirado
Semana passada eu pensava em como a gente não consegue se desvencilhar de alguns escritos, principalmente de amores escritos. Cheguei a odiar a escrita. Queria mais era ser maquiada (maquiavélica), malhada e bonita. O amor que me perdoe, mas eu queria mesmo era ser livre.
ResponderExcluirBeijo,
Amado, já!
ResponderExcluirSem ser escrito o amor não consegue nem doer de desamor...tenho cada linha que me foi possivel guaradr e outars tantas ainda nao enviadas...mto bom!
beijo por escrito
mari